Hoje, 56 jornais em 44 países dão o passo inédito de falar a uma só voz através de um editorial comum [sobre Copenhaga]. Fazemo-lo porque a Humanidade enfrenta uma terrível emergência.Se não nos juntarmos para tomar uma acção decisiva, as alterações climáticas irão devastar o nosso planeta, e juntamente com ele a nossa prosperidade e a nossa segurança. Desde há uma geração que os perigos têm vindo a tornar-se evidentes. Agora, os factos já começaram a falar por si próprios: 11 dos últimos 14 anos foram os mais quentes desde que existem registos, a camada de gelo árctico está a derreter-se, e os elevados preços do petróleo e dos alimentos no ano passado permitiram-nos ter uma antevisão de futuras catástrofes.
(...)
Exortamos os representantes dos 192 países reunidos em Copenhaga a não hesitarem, a não caírem em disputas, a não se acusarem mutuamente, mas sim a resgatarem uma oportunidade do maior fracasso político das últimas décadas. Não deverá ser uma luta entre os países ricos e os países pobres, ou entre o Oriente e o Ocidente. O clima afecta-nos a todos, e deve ser solucionado por todos.
A ciência é complexa mas os factos são claros. O mundo precisa de dar passos em direcção a limitar o aumento de temperatura a apenas dois graus centígrados, um objectivo que exigirá que as emissões de gases a nível global alcancem o seu máximo e comecem a diminuir durante os próximos cinco a dez anos.
(...)
Poucos acreditam que Copenhaga ainda consiga produzir um acordo completamente definido (...). Mas os políticos presentes em Copenhaga podem, e devem, chegar a um acordo sobre os elementos essenciais de uma solução justa e eficaz e, ainda mais importante, um calendário claro para a transformar num tratado. O encontro das Nações Unidas sobre alterações climáticas do próximo mês de Junho em Bona (Alemanha) deverá ser a data-limite. Segundo um dos negociadores: “Podemos ir a prolongamento, mas não nos podemos dar ao luxo de uma repetição do jogo.”
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As nações ricas gostam de fazer notar a verdade aritmética de que não poderá haver solução até que gigantes em desenvolvimento como a China tomem medidas mais radicais do que têm feito até agora. Mas os países ricos são responsáveis pela maioria dos gases de carbono acumulados na atmosfera – três quartos de todo o dióxido de carbono emitido desde 1850. São eles que agora devem dar o exemplo, e cada país desenvolvido deve comprometer-se com cortes maiores, que dentro de uma década reduzirão as suas emissões para substancialmente menos que o seu nível de 1990.
Os países em desenvolvimento podem argumentar que não foram eles que criaram a maior parte do problema, e também que as regiões mais pobres do globo serão as mais duramente atingidas. Mas vão cada vez mais contribuir para o aquecimento, e por isso devem comprometer-se com as suas próprias medidas significativas e quantificáveis.
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A justiça social exige que os países industrializados ponham a mão mais fundo nos seus bolsos e garantam verbas para ajudar os países mais pobres a adaptarem-se às mudanças climáticas, e tecnologias limpas que lhes permitam crescer a nível económico sem com isso aumentarem as suas emissões.
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A transformação será dispendiosa, mas muito menos do que a conta que se pagou para salvar o sistema financeiro internacional – e ainda muito mais barata do que as consequências de não fazer nada.
Muitos de nós, particularmente nos países desenvolvidos, teremos que alterar os nossos estilos de vida. A época dos voos de avião que custam menos do que a viagem de táxi para o aeroporto está a chegar ao fim. Teremos que comprar, comer e viajar de forma mais inteligente. Teremos que pagar mais pela nossa energia, e usar menos dessa mesma energia.
Mas a mudança para uma sociedade com reduzidas emissões de gases de carbono alberga a perspectiva de mais oportunidades do que sacrifícios. Alguns países já reconheceram que aceitar as transformações pode trazer crescimento, empregos e melhor qualidade de vida.
(...)
Superar as mudanças climáticas exigirá o triunfo do optimismo sobre o pessimismo, da visão a longo prazo sobre as vistas curtas, daquilo a que Abraham Lincoln chamou “os melhores anjos da nossa natureza”.
É dentro desse espírito que 56 jornais de todo o mundo se uniram sob este editorial. Se nós, com tão diferentes perspectivas nacionais e políticas, conseguimos concordar sobre o que deve ser feito, então certamente os nossos líderes também o conseguirão.
Os políticos em Copenhaga têm o poder de moldar a opinião da História sobre esta geração: uma geração que encontrou um desafio e esteve à altura dele, ou uma geração tão estúpida que viu a calamidade a chegar, mas não fez nada para a evitar. Imploramos-lhes que façam a escolha certa.
O PÚBLICO foi desafiado pelo jornal diário britânico The Guardian a participar neste projecto global. A ideia original de um editorial comum foi sugerida por várias pessoas envolvidas nas questões climáticas e tornada um projecto real por The Guardian. Foi com agrado que, ao longo dos dias, vimos o número de participantes crescer para 56 jornais de 44 países de todos os continentes. Aderimos por acreditarmos na urgência desta mensagem.
in Público, Editorial (págs. 1 e 38) - 07/12/09
É verdadeiramente refrescante ver que ainda é possível unir a imprensa internacional e usar o jornalismo em prol de uma causa maior. Agora só falta unir o resto do mundo.
segunda-feira, 7 de dezembro de 2009
sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
Bella domanda...
In una delle sue brevi poesie, John Averill (twitter.com/wiremesa) descrive una scena che coglie l’essenza della tua situazione astrologica: “Oggi è il giorno della foto della luna che sorge sull’Avana in un libro sullo scaffale di una baita coperta di neve”. Ti suggerisco un’interpretazione: la baita coperta di neve è dove sei adesso. La luna che sorge sull’Avana è dove potresti essere nel 2010. Come fai ad arrivarci?
In http://internazionale.it (Oroscopo)
In http://internazionale.it (Oroscopo)
segunda-feira, 30 de novembro de 2009
Pensamento do dia
É só impressão minha ou aquela expressão facial de "hoje é segunda-feira mas é só a fingir porque amanhã estou em casa outra vez", que quase toda a gente tem estampada no rosto, é extremamente irritante?
domingo, 29 de novembro de 2009
Popota 1 - Leopoldina 0
Para não correr o risco de quem aqui passa começar a achar que este é um daqueles blogs de auto-comiseração, venho hoje dar conta de algo que consegue pôr-me bem disposta por estes dias.
Depois de, no ano passado, termos sido massacrados até à exaustão pela imagem dantesca da Popota a dançar com o Tony Carreira, este ano, os senhores que tratam da publicidade do supermercado em questão tiveram um verdadeiro momento de inspiração divina: reinventaram a Popota e fizeram dela uma criatura original, cheia de estilo, que dança melhor do que a Madonna e que fica bem até de Sari.
Conclusão: este anúncio dá-me vontade de sorrir e de dançar e até me faz querer perdoar a dita hipopótama por ter andado metida com o Tony.
Temos pena, mas este ano só dá Po-po-po-po-po-po-pota. A Leopoldina nem tem hipótese.
sábado, 28 de novembro de 2009
Comfortably numb
Eu, o meu sofá, uma manta quentinha e uma boa série na televisão ou no portátil.
Por estes dias, esta é basicamente a minha noção de um dia ideal.
Sem movimento e mantendo o contacto com o exterior ao mínimo indispensável... Tempos houve em que ouvia muito cá por casa frases como "estás sempre na rua", "passas a vida no café" ou esse clássico da ironia parental: "tens uma vida social muito intensa".
É curioso ver que agora que a casa me parece mais vazia a cada dia que passa, o que mais me apetece é estar recolhida no ninho e agir como se o tempo não existisse, como se pudesse e quisesse passar o resto da vida assim.
Mas a verdade é que não quero. Eu quero viver, quero viajar e realizar-me profissionalmente. Quero conhecer pessoas, ler livros, amar, travar conhecimento com novas culturas...
Mas tudo isso me parece tão inatingível...É-me cada vez mais evidente que fazer planos não vale a pena. De um dia para o outro tudo pode mudar e os planos fogem-nos por entre os dedos e voam para longe, como uma rajada de vento.
E se assim é, what's the fucking point?
Gostava de me sentir viva... Mas a verdade é que não vejo grandes motivos para esperar mais e melhor.
Portanto acho que vou continuar a passar os dias a sonhar acordada, pensando no quão fofo é o meu sofá, no quão quentinha é a minha manta e no quão emocionante é aquela série que estou a ver.
If that's what gets me through the day, why the hell shouldn't I?
segunda-feira, 23 de novembro de 2009
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