quarta-feira, 22 de setembro de 2010

25

Seriously? 25?
1/4 de século de vida e tudo por fazer, por concretizar, por viver...
E saudades. Muitas, insuportáveis, irrespiráveis. E a evidência surreal de que cheguei até aqui - a esta idade que era suposto ser um marco de qualquer coisa - sem Ti.
Valem-me as pessoas que tenho a sorte de ter em meu redor e que não permitem que eu veja o copo completamente vazio.
Mais um ano a que sobrevivi, ferida mas inteira.
Que os seguintes sejam melhores - desejo que repito mecanicamente, a cada um que passa, sempre na esperança (cada vez mais esbatida) de que um dia chegará o tal ano melhor.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Férias

De maneiras que é isto:



E a seguir vai ser isto:



Portanto, até um dia destes.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010


Mais um grande, levado pelo filho da puta do costume.
E se o Céu existisse, por estes dias haveria por lá nuvens transformadas em salas de espectáculo improvisadas, onde este senhor estaria a proporcionar a todos os presentes grandes momentos de teatro e comédia. E Tu estarias a sorrir na plateia.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Para Sempre

Por que Deus permite
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.
Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
— mistério profundo —
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.

Carlos Drummond de Andrade, in 'Lição de Coisas'

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Não, não é Cansaço...

Não, não é cansaço...
É uma quantidade de desilusão
Que se me entranha na espécie de pensar,
E um domingo às avessas
Do sentimento, Um feriado passado no abismo...

Não, cansaço não é...
É eu estar existindo
E também o mundo,
Com tudo aquilo que contém,
Como tudo aquilo que nele se desdobra
E afinal é a mesma coisa variada em cópias iguais.

Não. Cansaço por quê?
É uma sensação abstrata
Da vida concreta —
Qualquer coisa como um grito
Por dar,
Qualquer coisa como uma angústia
Por sofrer,
Ou por sofrer completamente,
Ou por sofrer como...
Sim, ou por sofrer como...
Isso mesmo, como...

Como quê?...
Se soubesse, não haveria em mim este falso cansaço.

(Ai, cegos que cantam na rua,
Que formidável realejo
Que é a guitarra de um, e a viola do outro, e a voz dela!)

Porque oiço, vejo.
Confesso: é cansaço!...

Álvaro de Campos, in "Poemas" Heterónimo de Fernando Pessoa

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Last time I checked...

...O S. João era uma festa popular que se comemora no Porto, certo??
Então alguém me quer explicar porque é que uma pessoa que mora no centro da cidade de Lisboa tem de levar, na noite de 23 de Junho, com uma barulheira infernal de foguetes à uma e meia da manhã?!
É que, só por acaso, isto até é um dia de semana e a pessoa em questão até teve de se levantar às seis da manhã...
Conclusão: muito sono, dor de cabeça e um humor mais negro que o mar do Golfo do México.
Please don't push me today.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Fim-de-semana campestre

Neste fim-de-semana, se alguém perguntar por mim, digam que fui desfrutar dos ares do campo. O tempo parece não estar numa de colaborar, mas sair da cidade por um bocadinho vai saber muito bem, faça chuva ou faça sol.
Até ao meu regresso, deixo-vos este querido para vos fazer companhia:


Gozo os Campos sem Reparar para Eles

Gozo os campos sem reparar para eles.
Perguntas-me por que os gozo.
Porque os gozo, respondo.
Gozar uma flor é estar ao pé dela inconscientemente
E ter uma noção do seu perfume nas nossas ideias mais apagadas.
Quando reparo, não gozo: vejo.
Fecho os olhos, e o meu corpo, que está entre a erva,
Pertence inteiramente ao exterior de quem fecha os olhos
À dureza fresca da terra cheirosa e irregular;
E alguma cousa dos ruídos indistintos das cousas a existir,
E só uma sombra encarnada de luz me carrega levemente nas órbitas,
E só um resto de vida ouve.

Alberto Caeiro, in "Poemas Inconjuntos"