Há quem diga que são as cores quentes das folhas que caem das árvores ou a melancolia dos dias mais frescos que convida a ficar em casa com uma mantinha e uma lareira em frente...
Mas para mim, mariquices à parte, é a fornada de séries fresquinha e acabada de estrear, que vem directamente dos Estados Unidos a cada Setembro e me permite rever velhos "amigos".
Porque, digam o que disserem, não há má disposição que resista a um Barney Stinson ou carência que não seja suprida pela imagem de um McSteamy.
quinta-feira, 23 de setembro de 2010
quarta-feira, 22 de setembro de 2010
Da ironia dos 25
Receber 8 livros mesmo muito bons, por ocasião do meu aniversário, e passar metade dos meus dias a ler grandes pérolas como Expresso Empregos, Net Empregos, Bolsa de Emprego, Carga de Trabalhos, Universia Emprego, Michael Page (agência de emprego) e outros autores de renome no panorama do (des)emprego nacional.
Um poço de erudição, é o que é.
Um poço de erudição, é o que é.
25
Seriously? 25?
1/4 de século de vida e tudo por fazer, por concretizar, por viver...
E saudades. Muitas, insuportáveis, irrespiráveis. E a evidência surreal de que cheguei até aqui - a esta idade que era suposto ser um marco de qualquer coisa - sem Ti.
Valem-me as pessoas que tenho a sorte de ter em meu redor e que não permitem que eu veja o copo completamente vazio.
Mais um ano a que sobrevivi, ferida mas inteira.
Que os seguintes sejam melhores - desejo que repito mecanicamente, a cada um que passa, sempre na esperança (cada vez mais esbatida) de que um dia chegará o tal ano melhor.
1/4 de século de vida e tudo por fazer, por concretizar, por viver...
E saudades. Muitas, insuportáveis, irrespiráveis. E a evidência surreal de que cheguei até aqui - a esta idade que era suposto ser um marco de qualquer coisa - sem Ti.
Valem-me as pessoas que tenho a sorte de ter em meu redor e que não permitem que eu veja o copo completamente vazio.
Mais um ano a que sobrevivi, ferida mas inteira.
Que os seguintes sejam melhores - desejo que repito mecanicamente, a cada um que passa, sempre na esperança (cada vez mais esbatida) de que um dia chegará o tal ano melhor.
segunda-feira, 16 de agosto de 2010
quinta-feira, 5 de agosto de 2010
quarta-feira, 21 de julho de 2010
Para Sempre
Por que Deus permite
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.
Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
— mistério profundo —
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.
Carlos Drummond de Andrade, in 'Lição de Coisas'
Por que Deus permite
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.
Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
— mistério profundo —
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.
Carlos Drummond de Andrade, in 'Lição de Coisas'
quarta-feira, 14 de julho de 2010
Não, não é Cansaço...
Não, não é cansaço...
É uma quantidade de desilusão
Que se me entranha na espécie de pensar,
E um domingo às avessas
Do sentimento, Um feriado passado no abismo...
Não, cansaço não é...
É eu estar existindo
E também o mundo,
Com tudo aquilo que contém,
Como tudo aquilo que nele se desdobra
E afinal é a mesma coisa variada em cópias iguais.
Não. Cansaço por quê?
É uma sensação abstrata
Da vida concreta —
Qualquer coisa como um grito
Por dar,
Qualquer coisa como uma angústia
Por sofrer,
Ou por sofrer completamente,
Ou por sofrer como...
Sim, ou por sofrer como...
Isso mesmo, como...
Como quê?...
Se soubesse, não haveria em mim este falso cansaço.
(Ai, cegos que cantam na rua,
Que formidável realejo
Que é a guitarra de um, e a viola do outro, e a voz dela!)
Porque oiço, vejo.
Confesso: é cansaço!...
Álvaro de Campos, in "Poemas" Heterónimo de Fernando Pessoa
Não, não é cansaço...
É uma quantidade de desilusão
Que se me entranha na espécie de pensar,
E um domingo às avessas
Do sentimento, Um feriado passado no abismo...
Não, cansaço não é...
É eu estar existindo
E também o mundo,
Com tudo aquilo que contém,
Como tudo aquilo que nele se desdobra
E afinal é a mesma coisa variada em cópias iguais.
Não. Cansaço por quê?
É uma sensação abstrata
Da vida concreta —
Qualquer coisa como um grito
Por dar,
Qualquer coisa como uma angústia
Por sofrer,
Ou por sofrer completamente,
Ou por sofrer como...
Sim, ou por sofrer como...
Isso mesmo, como...
Como quê?...
Se soubesse, não haveria em mim este falso cansaço.
(Ai, cegos que cantam na rua,
Que formidável realejo
Que é a guitarra de um, e a viola do outro, e a voz dela!)
Porque oiço, vejo.
Confesso: é cansaço!...
Álvaro de Campos, in "Poemas" Heterónimo de Fernando Pessoa
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