O que passará pela cabeça de alguém que não é psicólogo, sociólogo, psiquiatra, antropólogo ou especialista no tema de nenhuma outra forma, e que tem como único conhecimento de causa o facto de ser homem - e ainda assim nada representativo da maioria das pessoas do mesmo género (espero eu!) - para escrever um livro com o subtítulo "Como perceber a cabeça dos homens?", como se se tratasse de algum guru das relações amorosas, paladino do amor, prestes a resolver os problemas de comunicação de todos os casais e acabar de vez com o flagelo dos corações solitários?!
Deve ser preciso ter uma falta de sentido do ridículo e um grau de narcisismo que considero preocupantes (para o próprio).
Se alguma vez me ocorrer fazer algo do género, por favor dêem-me um tiro na rótula ou mandem-me uma bigorna para cima. O que estiver mais a jeito.
Obrigada.
Seriously...
Viagens e divagações...Algumas sérias, outras nem por isso, mas todas minhas.
Quarta-feira, 14 de Março de 2012
Quarta-feira, 7 de Março de 2012
Crónicas de uma estagiária #4
Faz hoje precisamente 3 meses que iniciei o estágio. Estou portanto exactamente a meio caminho. Resta saber é para onde me levará esse caminho...
Não há perspectivas de poder ficar na empresa e o mercado de trabalho está cada vez mais vazio e desanimador.
A possibilidade de sair daqui depois de acabar o mestrado é cada vez mais real, entusiasmante e simultaneamente aterradora.
Por um lado, a possibilidade de uma experiência internacional com o crescimento pessoal e profissional que isso possa trazer. Por outro, a tristeza de deixar para trás o meu país porque ele já não tem nada para me oferecer.
Tenho mil ideias quanto ao que quero fazer da minha vida e mil dúvidas quanto ao melhor caminho para conseguir pôr qualquer uma delas em prática.
Quanto mais perto dos 30, menos são as certezas que tenho e mais precária e pouco confiável me parece a minha capacidade de decisão.
Releio este texto disconexo e penso para mim: estou fodida.
Não há perspectivas de poder ficar na empresa e o mercado de trabalho está cada vez mais vazio e desanimador.
A possibilidade de sair daqui depois de acabar o mestrado é cada vez mais real, entusiasmante e simultaneamente aterradora.
Por um lado, a possibilidade de uma experiência internacional com o crescimento pessoal e profissional que isso possa trazer. Por outro, a tristeza de deixar para trás o meu país porque ele já não tem nada para me oferecer.
Tenho mil ideias quanto ao que quero fazer da minha vida e mil dúvidas quanto ao melhor caminho para conseguir pôr qualquer uma delas em prática.
Quanto mais perto dos 30, menos são as certezas que tenho e mais precária e pouco confiável me parece a minha capacidade de decisão.
Releio este texto disconexo e penso para mim: estou fodida.
Terça-feira, 6 de Março de 2012
Segunda-feira, 5 de Março de 2012
Terça-feira, 28 de Fevereiro de 2012
Estado Laico? Yeah, right...
O António P. fez esta pertinente observação e eu susbscrevo:
Vamos ver se percebi bem:
- o Governo do Pedro e do Paulo já decidiu, sem perguntar a ninguém, que o 5 de Outubro e o 1º de Dezembro deixaram de ser feriados;
- já para os chamados feriados religiosos estamos pendentes da decisão da Santa Sé.
E eu a pensar que os feriados eram da República.
Enganei-me.
Pois. Parece que nos enganámos todos.
Vamos ver se percebi bem:
- o Governo do Pedro e do Paulo já decidiu, sem perguntar a ninguém, que o 5 de Outubro e o 1º de Dezembro deixaram de ser feriados;
- já para os chamados feriados religiosos estamos pendentes da decisão da Santa Sé.
E eu a pensar que os feriados eram da República.
Enganei-me.
Pois. Parece que nos enganámos todos.
Quinta-feira, 23 de Fevereiro de 2012
Desassossego
Ando inquieta. De uma inquietude constante e silenciosa que mói devagarinho até ao ponto em que se torna difícil respirar.
Um desassossego que vem de todo o lado e de lado nenhum, da incerteza do futuro e do marasmo do presente, do ruminar nas decisões tomadas e nas que ficam por tomar.
Sinto-me presa, cheia de sede de vida e de liberdade, cheia de vontade de voar. Mas o que me prende, se não eu própria? E voar para onde? Em direcção a quê?
Na imperceptível inquietude dos meus pensamentos, misturam-se cheiros, vontades, sentimentos, lágrimas e gritos de guerra que ninguém chega a ouvir.
É o desassossego de quem não faz a mínima ideia do que anda a fazer e está cansada de andar há demasiado tempo a fingir o contrário.
Ruminante e inquieta. Assim me mantenho, de dia para dia, até descobrir o que me poderá tirar deste permanente estado de ansiedade. Supondo que um dia descubro.
Até lá, aqui estou. Assim mesmo: desassossegada.
Um desassossego que vem de todo o lado e de lado nenhum, da incerteza do futuro e do marasmo do presente, do ruminar nas decisões tomadas e nas que ficam por tomar.
Sinto-me presa, cheia de sede de vida e de liberdade, cheia de vontade de voar. Mas o que me prende, se não eu própria? E voar para onde? Em direcção a quê?
Na imperceptível inquietude dos meus pensamentos, misturam-se cheiros, vontades, sentimentos, lágrimas e gritos de guerra que ninguém chega a ouvir.
É o desassossego de quem não faz a mínima ideia do que anda a fazer e está cansada de andar há demasiado tempo a fingir o contrário.
Ruminante e inquieta. Assim me mantenho, de dia para dia, até descobrir o que me poderá tirar deste permanente estado de ansiedade. Supondo que um dia descubro.
Até lá, aqui estou. Assim mesmo: desassossegada.
Segunda-feira, 20 de Fevereiro de 2012
De outros Carnavais
Quando eu era criança, adorava o Carnaval.
Todos os anos, uma máscara nova, sempre feita em casa e sempre vestida com entusiasmo. Na memória ficam o vestido de dama antiga feito de raiz pela minha avó com a peruca entrançada pacientemente pela minha mãe, o fato de bruxa no qual foram pacientemente cosidas dezenas de pequenas luas e estrelas em papel prateado, o fatinho de pagem, que já vinha de gerações passadas, a máscara de índia, com direito a penas e maquilhagem à altura, e tantas outras...
A última vez que me mascarei foi há 10 anos, já a contra-gosto, e apenas porque fui passar o Carnaval a Chaves com amigas, todas entusiastas carnavalescas, que basicamente me coagiram a mascarar-me.
Hoje em dia, a única coisa a que acho piada nesta época são as crianças mascaradas. Sobretudo porque a alegria com que envergam as suas máscaras me lembra da minha própria alegria quando ia para a escola orgulhosa da minha máscara, levando sempre um rolo de serpentinas pela mão.
Já as celebrações carnavalescas dos adultos não fazem senão deprimir-me: não consigo evitar pensar que os foliões mais não são do que pessoas que não conseguem ser quem gostariam de ser durante o resto do ano e usam estes dias como desculpa para extravasar frustrações e libertarem-se das amarras do quotidiano. Na realidade, até deve ser um processo saudável e catártico, acordar a criança que há em cada um três dias por ano e fingir que se é outra pessoa/animal/criatura.
Mas a mim, chega a dar-me pena ver os festejos na televisão, sobretudo quando vejo dezenas de homens vestidos de mulher e as imitações rascas de sambódromo que proliferam pelo país a fora nestes dias.
Raios... Ainda me faltam alguns para os 30 e já perdi a capacidade de brincar ao Carnaval.
Será que daqui é sempre a descer?
Todos os anos, uma máscara nova, sempre feita em casa e sempre vestida com entusiasmo. Na memória ficam o vestido de dama antiga feito de raiz pela minha avó com a peruca entrançada pacientemente pela minha mãe, o fato de bruxa no qual foram pacientemente cosidas dezenas de pequenas luas e estrelas em papel prateado, o fatinho de pagem, que já vinha de gerações passadas, a máscara de índia, com direito a penas e maquilhagem à altura, e tantas outras...
A última vez que me mascarei foi há 10 anos, já a contra-gosto, e apenas porque fui passar o Carnaval a Chaves com amigas, todas entusiastas carnavalescas, que basicamente me coagiram a mascarar-me.
Hoje em dia, a única coisa a que acho piada nesta época são as crianças mascaradas. Sobretudo porque a alegria com que envergam as suas máscaras me lembra da minha própria alegria quando ia para a escola orgulhosa da minha máscara, levando sempre um rolo de serpentinas pela mão.
Já as celebrações carnavalescas dos adultos não fazem senão deprimir-me: não consigo evitar pensar que os foliões mais não são do que pessoas que não conseguem ser quem gostariam de ser durante o resto do ano e usam estes dias como desculpa para extravasar frustrações e libertarem-se das amarras do quotidiano. Na realidade, até deve ser um processo saudável e catártico, acordar a criança que há em cada um três dias por ano e fingir que se é outra pessoa/animal/criatura.
Mas a mim, chega a dar-me pena ver os festejos na televisão, sobretudo quando vejo dezenas de homens vestidos de mulher e as imitações rascas de sambódromo que proliferam pelo país a fora nestes dias.
Raios... Ainda me faltam alguns para os 30 e já perdi a capacidade de brincar ao Carnaval.
Será que daqui é sempre a descer?
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